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Debate em referência ao Dia Internacional da Mulher discuti avanços e conquistas a serem alcançadas

O vereador Vladimir Ferreira (PT), realizou nesta sexta-feira (06), na Câmara Municipal de Coxim, uma Mesa Redonda em alusão ao Dia Internacional da Mulher.

Assessoria de Imprensa/CMC

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O vereador Vladimir Ferreira (PT), realizou nesta sexta-feira (06), na Câmara Municipal de Coxim, uma Mesa Redonda em alusão ao Dia Internacional da Mulher.

Discutindo temas como combate a violência contra a mulher, emancipação financeira da mulher, políticas públicas para as mulheres, a sub-representação da mulher no cenário político e as desigualdades ainda existentes entre os gêneros, Vladimir disse que a realização deste debate não é para celebrar e sim para marcar o Dia Internacional da Mulher. "Esta data nos exige ainda, muita reflexão sobre o papel da mulher na sociedade. Esta data marca as lutas das mulheres ao longo da história, mas ainda há muitas conquistas a serem alcançadas."

Entre uma dessas conquistas, o vereador citou a renda da mulher que ocupa a mesma função do homem no mercado de trabalho e disse que essa diferença corresponde a 19% a menos no salário. "Essa desigualdade ainda existe e, em pleno ano de 2015, isso é um retrocesso. Tem uma série de ações que estão sendo realizadas e precisam de aperfeiçoamento e mais apoio em todas as esferas de governo."

Falando sobre a necessidade de avançar no que diz respeito as políticas de proteção das mulheres, Vladimir Ferreira falou do impressionante número de casos registrados, no período de um mês, na Casa da Mulher Brasileira, inaugurada em fevereiro em Campo Grande. "Foram em torno de 1.900 atendimentos. Esse número, em tão pouco tempo, demonstra o tanto que precisamos avançar."

A delegada da mulher, Sandra Regina, que palestrou sobre o tema "Combate a violência contra a mulher", iniciou a palestra pedindo um minuto de silêncio a todos os presentes, em respeito a uma mulher que foi assassinada pelo marido, no dia 27 de fevereiro, em Coxim.

Diante de mais um caso como este, a delegada disse que o Brasil ocupa o 7º lugar no mundo em violência contra a mulher e que a cada uma hora e meia uma mulher é assassinada no Brasil. "Isso são dados assustadores que acontece em todo o Brasil. Então, nesta data, ao invés de comemorar, prefiro discutir as questões e os avanços mas também os retrocessos com relação a violência contra a mulher, porque em pleno 2015 ainda sofremos violência física, psicológica, moral, sexual, patrimonial, entre outras, principalmente daqueles que deveriam ser nossos protetores."

Sandra Regina chamou atenção para a necessidade de existir mais políticas públicas para as mulheres, com acompanhamento psicológico, assistencial e até mesmo de um advogado. "A Delegacia da Mulher se sente como se estivesse sozinha dentro de um barco e o que nós queremos é ver a situação sendo resolvida na vida particular da mulher vítima de agressão, e não momentaneamente quando se efetua uma prisão. Nós queremos respaldo para essas mulheres."

Feminicídio

Diante de tantos casos diários de violência contra a mulher que a delegacia da mulher recebe, a delegada aproveitou a oportunidade para falar da Lei do Feminicídio, que será sancionada nesta segunda-feira (09), pela presidente Dilma Rousseff.

"A pena e o rigor das punição dos autores de crimes bárbaros contra mulheres, são avanços. Havia um tempo em que a punição era apenas com o pagamento de uma cesta básica ou o indivíduo prestava serviço para a comunidade. Então, este é mais um avanço que vem somar a Lei Maria da Penha."

A Lei transforma em crime hediondo o assassinato contra mulheres no Brasil. A pena para homicídio simples é de seis a 20 anos de prisão e a punição para homicídio qualificado é de 12 a 30 anos.

A professora doutora, Eliene Dias de Oliveira, abordou o tema "O Empoderamento da Mulher na Sociedade" e explicou a temática do tema, que significa tomar as rédeas da própria vida. "O empoderamento passa pela questão econômica, pela independência, pela economia e pela autonomia. O empoderamento talvez seja um dos caminhos possíveis de enfrentamento dessas situações de violência que ainda hoje as mulheres sofrem."

Na oportunidade, Eliene Dias deu um exemplo local de empoderamento, que é o Grupo de Apoio a Adoção Mangedoura (Gaam). O Gaam é uma entidade sem fins lucrativos, formada por pais adotivos, filhos adotivos, pretendentes à adoção e outros voluntários que somam forças pela causa da criança e do adolescente.

De acordo com a palestrante, o Gaam tem o objetivo de desenvolver projetos sociais, passando a atender de forma efetiva crianças e adolescentes de seis a 14 anos. "O Gaam realiza um trabalho visando o empoderamento das mulheres da comunidade, através de palestras de autoestima, orientações gerais e oficinas de cursos profissionalizantes."

Tratando do tema "As mulheres no Poder: concepção e desafios", a professora mestre Maria Rosana, mostrou dados que apontam que as mulheres são 51,2 % da população e que hoje realizam 66% do trabalho do planeta porém, recebem apenas 10% da renda mundial. Dados também apontam que as mulheres são 43,7% da população economicamente ativa.

Se referindo a atuação da mulher na política, Maria Rosana falou da sub-representação da mesma nesse campo. "As mulheres estão sub-representadas como eleitoras e em posições de liderança, seja em cargos eletivos, de serviços públicos, no setor privado ou na academia. Em todos esses aspectos, somos sub-representadas."

Com base nestes dados e diante dessa realidade, uma pesquisa realizada pela ONU (Organização Mundial da Saúde), aponta que no ritmo de progresso atual, serão necessários 81 anos para conseguir a paridade de gênero nos locais de trabalho, mais de 75 anos para alcançar igual remuneração entre homens e mulheres pelo mesmo trabalho realizado, e mais de 30 anos para conseguir o equilíbrio entre mulheres e homens nos postos de tomada de decisão.

"As perspectivas são ruins, então precisamos conhecer e acelerar esses procedimentos pois, nenhum país do mundo exibe hoje absoluta paridade entre homens e mulheres. Isso é um problema mundial. A luta da mulher por mais espaço no poder é por uma democracia completa, com as mesmas chances e as mesmas condições de disputa para homens e mulheres. "

Centro de Atendimento à Mulher e Conselho da Mulher

Um assunto que ganhou destaque por todas as palestrantes foi o Centro de Atendimento à Mulher e o Conselho da Mulher, que não funcionam em Coxim.

As palestrantes manifestaram indignação com o fechamento do Centro de Atendimento à Mulher e disseram que não é cabível aceitar essa situação, uma vez que a conquista para a existência do Centro no município envolve dinheiro público.

A delegada Sandra Regina disse que o Centro é importante devido ao trabalho preventivo que tem que ser feito. "Nós temos que pensar nas políticas públicas para pensar no preventivo. O poder público não pode se omitir diante da violência que acontece ao seu redor, pois eu tenho certeza que se o Centro estivesse funcionando a demanda seria grande."

A palestrante Eliene Dias, disse que infelizmente  o poder público ainda age com descaso nesse sentido, o que externa o comprometimento parcial dos nossos governantes. "Não teria sentido pensar o teórico e não refletir o que estamos vivendo, como exemplo, o Centro de Atendimento à Mulher, que esta fechado. Para mim, o governante diz muito desses projetos a partir de seu olhar com os mais fracos. Isso mostra muito o olhar dos nossos governantes."

A palestrante Maria Rosana disse que a conquista do Centro de Atendimento foi com muita luta e, que se for para estar fechado, que o Poder Executivo devolva o dinheiro investido para o Governo. "É preciso abrir um diálogo com o prefeito e perguntar se ele acha que as mulheres de Coxim, realmente não precisam de psicólogo e de assistência social. É preciso perguntar para ele, se ele realmente acha que vai afundar Coxim se abrir as portas de Centro de Atendimento a Mulher vitima de violência."

No final do debate, os presentes participaram com questionamentos as palestrantes.

Além do vereador Vladimir Ferreira, também participaram do debate, o presidente da Casa de Leis, vereador Adilson do Lago (PDT) e os vereadores Marilene Gasperin (PSB), Sidney Assis (PSDB) e Vilmar Vendruscolo (PT).

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